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A distância ou à distância
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Curitiba
#  A distância ou à distância
Educação a distância ??? sem crase! Publicada Mai 05, 2006 - 12:00 -------------------------------------------------------------------------------- Como é sabido, crase é um fenômeno fonético correspondente à fusão de sons vocálicos idênticos. Representa-se a crase em língua portuguesa pelo acento grave; a principal ocorrência em nossa língua se dá na fusão da preposição a ao artigo definido feminino, plural ou singular, a / as. A palavra distância, na expressão em caso, tem o mesmo sentido de "rubrica: geometria. (3) espaço muito grande que separa dois seres, dois lugares ou dois objetos; lonjura (HOUAISS) não absolutamente outro sentido que a palavra pode expressar: "Rubrica: matemática. função positiva definida e simétrica que associa um número real a dois pontos de um espaço métrico" (HOUAISS). Assim, no primeiro sentido, dizemos: ??? Quero distância de você. ??? Não há distância que nos separe. Não se usa artigo, muito menos artigo definido, quando a natureza da relação não for explícita ou implicitamente numérica. Por outro lado: ??? Não será a distância de quatro horas de vôo que nos separará. ??? Quero você pelo menos à distância de 1000km de mim! Com uso necessário de artigo, preferencialmente definido, quando a grandeza física for expressa ou subentendida. Do que se pode inferir que onde não cabe artigo (distância como sinônimo de lonjura!) não caberá crase. Entretanto, AUR??LIO registra das duas formas, em poesia, sem o rigor semântico: A distância. 1. Um tanto longe: Ouvimos vagos rumores a distância. 2. Sem familiaridade: Sua casmurrice mantinha todos a distância. [Tb. se usa à distância (com acento no a): "Parede acima vais (a lagartixa). E eu, à distância, / Olho as tuas pesquisas apressadas" (Fernando de Mendonça, 13 Decassílabos, p. 8). Entendendo pois que educação a distância equivale a "educação de longe" ??? qualquer que seja a distância ??? não existe artigo na expressão, subsiste necessariamente a preposição: não ocorre crase. Este é o meu ponto de vista. Há outras opiniões, apoiando-me ou discordando de mim: Ensino à distância - crase com locuções adverbiais - Outras expressões de circunstância M. T. Piacentini(2) ENSINO ?? DIST??NCIA ??? crase com locuções adverbiais Disse-me o professor José T. B. Neto, de Umuarama / PR: "Tenho certa resistência em grafar ensino a distância, sem o acento grave indicativo de crase, como é comum encontrar nos documentos exarados pelo MEC. Alguns autores classificam tal ocorrência como CRASE FACULTATIVA. (...)" Não está errado o Ministério da Educação. Mas eu, assim como o professor, prefiro usar o acento ??? nessa e em outras locuções adverbiais que indicam circunstância. O motivo é que a ausência do acento pode deixar o texto ambíguo. Em "ensinar/estudar a distância", por exemplo, fica-se com a impressão de que é a distância que está sendo ensinada ou estudada. ?? o mesmo caso de viu a distância, escreveu a distância, curou a distância, fotografe a distância, permanece a distância [= a distância permanece] e assim por diante, frases que parecem melhor com o acento indicativo de crase (que por questões didáticas também chamamos apenas de 'crase'): viu à distância, escreveu à distância, curou à distância, fotografe à distância, permanece à distância. Com a distância determinada, especificada, o a deve ser acentuado: Fotografe à distância de um metro. A casa à venda fica à distância de uns 10 km daqui. Já na frase "Compramos uma chácara a grande distância daqui" não há crase, porque está subentendido o artigo indefinido: a (uma) grande distância. Outras expressões de circunstância Nas locuções adverbiais com palavras masculinas, como: a pé, a caminho, a cavalo, a frio, a gás, a gosto, a lápis, a meio pau, a nado, a óleo, a pé, a postos, a prazo, a sangue-frio, a sério, a tiracolo, a vapor etc. não se acentua o a, que é uma simples preposição. Nas locuções femininas, contudo, embora esse a possa ser só preposição ??? e se sabe que a crase é a fusão da preposição a com o artigo a ???, é de tradição no Brasil crasear o a por motivo de clareza. Compare nos exemplos abaixo o significado da frase sem a crase e com ela: Foi caçada a bala (a bala foi caçada). ??? Foi caçada à bala. Bateu a máquina (deu um choque ou pancada...). ??? Bateu à máquina. Cortou a faca (cortou-a / cortou a própria faca). ??? Cortou à faca. Vendeu a vista (vendeu os olhos). ??? Vendeu à vista. Coloquei a venda (faixa nos olhos). ??? Sim, coloquei à venda. Tranquei a chave (a chave foi trancada). ??? Tranquei à chave. Pagou a prestação (pagou-a). ??? Pagou à prestação (em prestações). Outras frases com diferenças bastante óbvias: Lavar a mão. Lavar à mão. Lavar a máquina. Lavar à máquina. Fazer a mão. Fazer à mão. Veio a tarde. Veio à tarde. Combateremos a sombra. Combateremos à sombra. Aguardavam a cabeceira do doente. Aguardavam à cabeceira do doente. ?? por essa questão de clareza que se recomenda e geralmente se acentua o a nas locuções adverbiais de circunstância, mesmo não sendo ele rigorosamente a fusão de a + a. Para finalizar, outros exemplos: à disposição, às avessas, à beira-mar, às centenas, às escondidas, à frente, à mão armada, às mil maravilhas, à noite, às ordens, à paisana, à parte, à perfeição, à primeira vista, à revelia, à risca, à solta, à toa, à vela, às vezes, à vontade. Ensino à distância(3) "Prezado prof. Moreno: por que "ensino a distância" não leva acento de crase? Discutimos aqui que poderia ser pelo fato de não estar determinada a distância, já que temos o acento em frases como "o carro estava à distância de 100 metros". ?? isso? Fui ao Aurélio e vi que são aceitas as duas formas. Zero Hora tem escrito sempre sem crase. A revista Veja também. Recebemos críticas de um leitor por não ter colocado crase em um artigo que falava em "educação a distância". Um abraço e muito obrigada" Marta Gleich - jornal Zero Hora - Porto Alegre Qualquer brasileiro que passou pela escola deveria saber que a crase é um fenômeno que ocorre quando dois As se encontram no interior de uma frase: a preposição A, que fica à esquerda, encontra o artigo A, que fica à sua direita. Ora, isso só poderia ocorrer, rigorosamente, numa ??NICA SITUA????O: antes de um substantivo feminino (expresso ou elíptico) que tenha o artigo A. Fora disso, em qualquer outra situação, é impossível que se encontrem os dois As necessários para esse casamento. Como se explicaria, então, a grande incidência de erros do tipo *barco à vapor, *bufê à quilo, *escreveu à lápis, *começou à chorar, *entregou à ela, *trafegava à 60km, em que não se pode sequer suspeitar da existência de um artigo feminino? ?? apenas mais uma conseqüência da decadência do ensino brasileiro, diriam alguns. Eu concordo, mas em parte. A Lingüística moderna nos explica que todo erro que é cometido por uma extensa faixa de usuários deve ter alguma forte motivação subjacente; o mau ensino pode deixar o cidadão despreparado para empregar o acento de crase, mas não pode ser a causa de tantas pessoas quererem pôr o acento aí! Em outras palavras: se posso responsabilizar os maus instrutores de direção pelos maus motoristas que infernizam o trânsito, não poderia responsabilizá-los se um número expressivo de seus alunos resolvessem se atirar, de carro e tudo, pelo penhasco abaixo. De onde vem a vontade de colocar esses acentos indevidos? Acredito que isso seja apenas a materialização da tendência instintiva (já destacada pelo incomparável Celso Pedro Luft, patrono desta página) de trocar o sistema vigente por outro mais simples, que consistiria, à francesa, em acentuar sempre o "A" quando fosse preposição. Friso que não estou justificando essa prática camicase de usar o acento antes de substantivos masculinos; tento apenas entender o que leva tanta gente boa a fazê-lo. Said Ali já tinha demonstrado que os escritores de nosso idioma, desde o século XVI, usavam acentuar também a simples preposição antes de palavra feminina, em expressões como "à faca", "à espada", "à fome", embora expressões equivalentes no masculino deixassem bem claro que não havia aqui o encontro de dois As ("a machado", "a martelo"). Na mesma linha algo foi ensaiado por José de Alencar, no século XIX, o que lhe valeu a crítica de um dos gramáticos "medalhões" da escola do Rio de Janeiro, que fez um estudo sobre a linguagem alencariana, mostrando que, infelizmente, o autor de Iracema não sabia usar nem a crase... Ele não entendeu que ali o acento apenas servia para distinguir o artigo da preposição. Hoje a maioria dos gramáticos aceita a hipótese de usarmos acento grave numa série de expressões com palavra feminina em que o "A" é simples preposição, isto é, sem que ocorra ali um encontro de dois As. Há casos em que isso tem a clara intenção de desambigüizar a expressão, evitando que a preposição possa vir a ser lida como artigo, o que alteraria o significado: vender à vista (compara com vender a prazo: só a preposição está presente); bater à máquina; fechar à chave; apanhar à mão; pescar à rede; estudar à noite. Em muitos outros, contudo, mesmo sem a possibilidade de leitura ambígua, já ficou tradicional esse acento sobre a preposição: à direita, à esquerda, à força, etc. Como o Luft conclui: "A tendência da língua é acentuar o a inicial das locuções femininas (adverbiais, prepositivas e conjuntivas), mesmo quando não é crase [o grifo é meu]". Quanto à locução à distância, tanto o Grande Manual de Ortografia Globo (Luft), quanto o Aurélio XXI indicam, expressamente, a dupla possibilidade de grafia; então, Marta, não hesites: usa o acento e estarás aderindo ao sentimento da grande maioria dos teus leitores. Públio Athayde(1) 1 Públio ATHAYDE, Graduado em História (Licenciatura) no ano de 1987, pela Universidade Federal de Ouro Preto ??? UFOP. Ainda em Ouro Preto, onde nasceu, participou de diversos Festivais de Inverno, cursos e eventos nas áreas de Museologia, Arquivística, História de Minas Gerais e da Arte. A principal atividade exercida atualmente é a de Revisor Acadêmico e Literário. Tem formação em Ciência Política pela UFMG, autodidata em Filologia Românica, conhece arcaísmos das línguas neolatinas e variantes do Latim. Dedica-se atualmente a intensa atividade literária. ?? autor do Manual para redação acadêmica. Belo Horizonte, Editora Keimelion, 2002. (Disponivel neste site para dowload) 2 Sobre a autora: Maria Tereza de Queiroz Piacentini é catarinense, professora de Inglês e Português, revisora de textos e redatora de correspondência oficial há mais de vinte anos. Em 1989 foi responsável pela revisão gramatical da Constituição do Estado de Santa Catarina e no ano seguinte publicou artigos sobre questões vernáculas em diversos jornais. Retoma agora a publicação de colunas semanais com temas atualizados, em vista da experiência adquirida e das inúmeras consultas que lhe têm feito pessoas de todo o País depois que lançou o livro Só Vírgula - Método fácil em 20 lições (UFSCar, 1996, 164p.). Também teve publicados, em 1986, dez módulos da Instituição Técnica Programada - ITP, Português para Redação, edição esgotada. Hompege: [url]http://www.linguabrasil.com.br[/url]
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Mogi Guaçu - SP
#  Re: A distância ou à distância
Dessa eu já sabia, mas é bom pra tirar a dúvida da galera ae. Belo tópico ;)
Yarê, Yarê....
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Belém - Pará
#  Re: A distância ou à distância
OOO legal Essa crase ainda mi inrrola um poko
[center][img width=315 height=95]http://img68.imageshack.us/img68/3251/bloodsign2zm0.jpg[/img][/center]
Mãos limpas salvam vidas.
Associado GameViciado
 
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Bahia
#  Re: A distância ou à distância
A crase, às vezes, dá mais vida e melhor compreensão a frase quando empregada corretamente. Valeu, Game!
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